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domingo, 9 de maio de 2010

A RESISTENCIA BANTU NO RIO DE JANEIRO







II ECOBANTU








SÃO PAULO










2004













A RESISTENCIA BANTU NO RIO DE JANEIRO

Muito embora, João do Rio, tenha tentado instituir a “bantufobia” no Rio de Janeiro já no inicio do século, sem duvida suas observações não prosperaram da mesma forma que a tentativa de Nina Rodrigues de instaurar a “Nagocracia” no Rio não deu certo.
Pelo menos 70 anos se passam entre estas observações escritas e as minhas. Ao chegar no Ro de Janeiro na década de 60, fico radicado no município de Nilópolis, na casa de um famoso Kimbandeiro, falecido recentemente, Jorge Buda ou Formigão e ai começo a integrar um mundo totalmente diferente onde o linguajar a forma de vida eram totalmente diferentes de minha vida até então cristã.
Tomo contato com os falares e o modo de vida Bantu, que fora tão combatido por João do Rio e Nina Rodrigues. Na famosa baixada fluminense proliferavam as casas de kimbanda, alijadas do antigo estado da Guanabara, onde as tendas espíritas de umbanda ou centros de mesa branca, passaram a dominar, não estou falando da Umbanda, mas da Macumba Carioca, no meu entender a verdadeira herdeira dos falares e dos costumes bantu no Brasil.
Nesta década posso falar que praticamente todo o complexo religioso afro descendente era composto por Tatas, até mesmo quem não eram iniciados de Angola / Congo se intitulava Tata.
Tata Londira (João da Gomeia), Tata Diludiamungongo (Ciriaco), Tata Lesengue(João lesengue), Tata Dewanda (Miguel Grosso) , Tata Fumutinho ( Este iniciado de jeje).
O terreiro de Jorge era sem duvida um dos herdeiros dessa tradição, sua hierarquia e a maioria das entidades era eminentemente bantu, ali os Tatas Kimbandas se reunião para o jongo:
Capistrano, Caneca, Antonio 24 horas, Djalma de Lalu, Mario careca, Clodoaldo, Sapo, Ferreira, Pai Damião,xxx
As giras de jongo que no começo eram feitas no campo do gericino, com os anos passaram a ser feitas nas casas, já de macumbas, e os encontros dos personagens mais raros.

AS ENTIDADES
Jerere Rei de Ganga
Congo Mujongo
Saraganga
Maria Mukangue
Pomba Gira

OS CARGOS
Tata Kimbanda = Chefe do terreiro.
Kambono = Ajudante geral.
Kimboto = Espécie de ajudante para a esquerda.
Samba = Mãe pequena
Candongueiro = Leva e traz noticias.
Mão de Pemba = Riscador de pontos rituais.
Mão de ofa = Mão de faca.

O jongo era eminentemente masculino, não havendo mulheres na roda, o local era escolhido por um kimbandeiro que convidava os outros.
O anfitrião chegava na frente pra firmar os pontos de segurança e levar o, cachambu (tambor), a cachaça não podia faltar, tudo pronto era só esperar.
1
Saraganga ae
Saranganga
Abre a gira e fecha os caminhos.
OBS: Abre para os participantes e fecha para a policia.
2
Ai não me mecha na porteira
Ai jongueiro
Eles podem se zangar
Ai jongueiro
Zangando ele chora
Ai jongueiro
Chorando pode matar
Ai jongueiro
3
Zambi é tata
De bande
Zambura ae
4
Jerere é malele
Dis o bumbo gire
O kiganga
Oia ganga com ganga
É maleko
Oia ganga com ganga
O kimbanda
As danças e as demandas seguiam noite adentro até que o ultimo cai-se ou de bêbado ou derrotado pelo mais forte.

OS FALARAES
Ne jinguin = Sem dinheiro.
Jinbo = Dinheiro.
Neca supo = Órgão sexual masculino.
Neca supo odara = Falo erecto.
Gudia = comer.
Zambi a pombo = Deus.
Kalunga = Cemitério.
Kalunga grande = Mar / Oceano.
Intaba = Cigarro.
Intaba de ungira = Maconha.
Mona oko = Lésbica.
Indunba sem dengue = Prostituta.
Mungo = Sal.
Kuendar = Ir.
Kuendar o akuako = Morrer
Kizila = Proibição.
Marafa = Cachaça.
Pito = Charuto.
Toco = Vela.
Ingoma = Atabaques.
Kiumba = Espirito ruin.
Makaia = Mata / floresta.
Banzo = Preguiça.
Kafofo = Quarto / casa.
Kachanga = Casa.
Kuriar = Beber.
Inguidiar = comer
Mutue / kamutue = cabeça.
Kuenda njira = Ir embora.
Maianga = banho.
Malungo = Irmão.
Bakuro = Ser superior.

Oga Gilberto de Esu

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