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domingo, 24 de março de 2013

Vivencia de Oga Gilberto de Esu na Macumba Carioca


 
                  A RESISTENCIA  BANTU NO RIO DE JANEIRO

Abstract

          O texto se refere a vivencia de um garoto em uma MACUMBA carioca nos idos de 70, os falares e a forma de convivência entre os “Tatás” e os “malungos”, os “ispritos” os “kiumbas” as “miasmas”.
        Os “kibandeiros” os “Kimbotos” ou “jongueiros” o “cachambu” e o “kandongueiro”.
          Episódios sérios e hilários como o de “Ontonho 24 horas” celebre “kimboto” de Nova Iguaçu ou do “Sinistro obsessor Nô”   cavalo de “Zé kóió”.
          As “Sambas”, deliciosas moças que compunham o imaginário erótico do garoto.
          “Saraganga” e “Jerere” dois “ispritos” poderosos que comandavam os inícios da gira de “kimbanda”.
          A aversão dos “macumbeiros” pelos candomblés estabelecidos na baixada fluminense.
          Relatos da união dos Jongueiros em torno do Cachambu.
          Reminicencias de Minas Gerais, a “marafa” e a “meladinha”, Muzanbinho, Mar D`Espanha, Muriaé.

                    A RESISTENCIA  BANTU NO RIO DE JANEIRO

          Muito embora, João do Rio, tenha tentado instituir a “bantufobia” no Rio de Janeiro já no inicio do século, sem duvida suas observações não prosperaram da mesma forma que a tentativa de Nina Rodrigues de instaurar a “Nagocracia” no Rio não deu certo.

          Pelo menos 70 anos se passam entre estas observações escritas e as minhas. Ao chegar no Ro de Janeiro na década de 60, fico radicado no município de Nilópolis, na casa de um famoso Kimbandeiro, falecido recentemente, Jorge Buda ou Formigão e ai começo a integrar um mundo totalmente diferente onde o linguajar a forma de vida eram totalmente diferentes de minha vida até então cristã.

           Tomo contato com os falares e o modo de vida Bantu, que fora tão combatido por João do Rio e Nina Rodrigues. Na famosa baixada fluminense proliferavam as casas de kimbanda, alijadas do antigo estado da Guanabara, onde as tendas espíritas de umbanda ou centros de mesa branca, passaram a dominar, não estou falando da Umbanda, mas da Macumba Carioca, no meu entender a verdadeira herdeira dos falares e dos costumes bantu no Brasil.

Nesta década posso falar que praticamente todo o complexo religioso afro descendente era composto por Tatas, até mesmo quem não eram iniciados de Angola / Congo se intitulava Tata.

Tata Londira (João da Gomeia), Tata Diludiamungongo (Ciriaco), Tata Lesengue(João lesengue), Tata Dewanda (Miguel Grosso) , Tata Fumutinho ( Este iniciado de jeje).

O terreiro de Jorge era sem duvida um dos herdeiros dessa tradição, sua hierarquia e a maioria das entidades era eminentemente bantu, ali os Tatas Kimbandas se reunião para o jongo:

Capistrano, Caneca, Antonio 24 horas, Djalma de Lalu, Mario careca, Clodoaldo, Sapo, Ferreira, Pai Damião,xxx

As giras de jongo que no começo eram feitas no campo do gericino, com os anos passaram a ser feitas nas casas, já de macumbas, e os encontros dos personagens mais raros.

 

AS ENTIDADES

Jerere Rei de Ganga

Congo Mujongo

Saraganga

Maria Mukangue

Pomba Gira
                                                OS CARGOS

Tata Kimbanda = Chefe do terreiro.

Kambono = Ajudante geral.

Kimboto = Espécie de ajudante para a esquerda.

Samba = Mãe pequena

Candongueiro = Leva e traz noticias.

Mão de Pemba = Riscador de pontos rituais.

Mão de ofa = Mão de faca.

O jongo era eminentemente masculino, não havendo mulheres na roda, o local era escolhido por um kimbandeiro que convidava os outros.

O anfitrião chegava na frente pra firmar os pontos de segurança e levar o, cachambu (tambor), a cachaça não podia faltar, tudo pronto era só esperar.

1

Saraganga ae

Saranganga

Abre a gira e fecha os caminhos.

OBS: Abre para os participantes e fecha para a policia.

2

Ai não me mexa na porteira

Ai jongueiro

Eles podem se zangar

Ai jongueiro

Zangando ele chora

Ai jongueiro

Chorando pode matar

Ai jongueiro

3

Zambi é tata

De bande

Zambura ae

4

Jerere é malele

Diz o bumbo gire

O kiganga

Oia ganga com ganga

É maleko

Oia ganga com ganga

O kimbanda

As danças e as demandas seguiam noite adentro até que o ultimo cai-se ou de bêbado ou derrotado pelo mais forte.

OS FALARAES

Ne jinguin = Sem dinheiro.

Jinbo = Dinheiro.

Neca supo = Órgão sexual masculino.                           

Neca supo odara = Falo erecto.

Gudia = comer.

Zambi a pombo = Deus.

Kalunga = Cemitério.

Kalunga grande = Mar / Oceano.

Intaba = Cigarro.

Intaba de ungira = Maconha.

Mona oko = Lésbica.

Indunba sem dengue = Prostituta.

Mungo = Sal.

Kuendar = Ir.

Kuendar o akuako = Morrer

Kizila = Proibição.

Marafa = Cachaça.

Pito = Charuto.

Toco = Vela.

Ingoma = Atabaques.

Kiumba = Espirito ruin.

Makaia = Mata / floresta.

Banzo = Preguiça.

Kafofo = Quarto / casa.

Kachanga = Casa.

Kuriar = Beber.

Inguidiar = comer

Mutue / kamutue = cabeça.

Kuenda njira = Ir embora.

Maianga = banho.

Malungo = Irmão.

Bakuro = Ser superior.

 

                                                           Oga Gilberto de Esu

 

 

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