VISITANTES

sábado, 15 de junho de 2013

Fragmentos de memoria Teatro Municipal de São Paulo - " Xango e suas três mulheres 1983"


            A Assessoria para Assuntos Afro Brasileiros da Secretaria de Estado da Cultura estava a pleno vapor envidando esforços no sentido de realizar o 1° Projeto Zumbi, onde eu Oga Gilberto de Esu, Araken Vaz Galvão, Lumumba, Mestre Bilisco, Mestre Gato, Zenaide, Maria da Paixão, entre outros trabalhávamos diuturnamente cada um em seu mister.
            Entre as atrações teríamos a vinda do Bale de Moçambique que faria duas apresentações no Teatro Municipal de São Paulo, uma sábado e outra no domingo, 22 e 23 de novembro de 1983. Um mês antes do evento recebemos uma comunicação da Embaixada que o Bale só poderia fazer uma apresentação no domingo dia 23 por força de outros compromissos assumidos. Problema , tínhamos dois dias acertados no Teatro Municipal e apenas um dia cheio o que fazer no sábado? Realizamos uma reunião as pressas e Arakem faz a sugestão: “porque não ensaiamos Xango e suas três Mulheres e apresentamos” ? Temos os integrantes do Afoxé, enfim temos tudo. Abraçamos a ideia e saímos a luta. Eu e Araka começamos imediatamente a fazer o texto e escolher os atores que seriam entre outros:
Obi Inae Kibuco = Exu
Elisio Pita = Xango ( originalmente era o Macalé)
Bira = Ogun
Giba= Oxala
Wanda= Oxun
Marisa= Oya
Roteiro musical= Oga Gilberto de Esu
Orquestra= Oga Gilberto de Esu,Mestre gato, Angelo, Tiroga
Roteiro= Arakem Vaz Galvão
Direção= Oga Gilberto de Esu e Araken Vaz Galvão
Todo o figurino foi realizado por D. Wanda de Osun.
Um grupo de dançarinos do Afoxé juntaram-se fazendo parte da encenação. Não comseguimos salas no Municipal para ensaiar e depois de muita correria conseguimos uma sala  no teatro Sergio Cardoso onde finalmente ensaiamos.
Uma dificuldade, não tínhamos cenários ou qualquer coisa que pudéssemos colocar no palco. Foi ai que Elisio procurou o Balé Cisne Negro onde dava aulas e conseguiu o linóleo e algumas coisas para enfeitar o palco. No terreiro do candomblé tínhamos outro tanto de coisas e assim fomos arrumando o cenário , mas faltava muita coisa. Numa boa conversa com os funcionários do Municipal e fomos levados a uma sala de refugos onde achamos uma bigorna elétrica, um pequeno vulcão com efeitos especiais(acendia luzes vermelhas e tinha um ventilador) parecia algo como uma fogueira, tornou-se a forja de Ogun. Tínhamos um problema, quem seria Egun ? E ai resolvemos que Egun seria um grande chapelão feito de papelão com muitas tiras bem longas com um fio de náilon que seria pendurado em cima do palco e manejado por alguém. A bigorna era composta por um martelo que ao bater nela faiscava fogo pra todo lado, era perfeita a não ser por um problema, toda vêz que Ogun batia o martelo fechava  a corrente e o fusivel queimava, tínhamos que ter um estoque de fuziveis..
A orquestra por trás do palco foi uma bagunça total eu Mestre gato nos dividíamos entre os vários instrumentos, Berimbal, Atabaques, pau de chuva, a bacia cheia de agua, uma folha de metal(trovão e raios) agogô, tudo isso fora o roteiro das cantigas que eu teria de cantar.
E ai no dia 23 de novembro de 1983 entramos vitoriosos no Teatro Municipal de Estado de São Paulo e encenamos Xango e suas três Mulheres.
OBS: estou escrevendo esse texto hoje dia 15 de  junho de 2013 evidentemente algumas coisas foram esquecidas, mas estão ai em sua maioria, espero que me desculpem os esquecidos de minha historia.
OBS: no momento em que escrevo isso, ouço pela TV o anuncio da morte de Jacob Gorender, que foi um dos muitos colaboradores e ativo participante das mesas de debates.

                                                                Oga Gilberto de Esu

Nenhum comentário:

Postar um comentário

seu comentário será lido e respondido devidamente