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domingo, 26 de janeiro de 2014

ESU E O EGAN

  • ESU E O EGAN

    Nos ensina Osetura que Esu foi o primeiro Orisa a usar o Egan, e por isso tornou-se o decano dos Orisa por toda a eternidade. Tornando-se então o Egan o símbolo máximo dos iniciados.
    Se o Egan é o símbolo máximo da iniciação, porque seu portador Esu não deve ser considerado como o primeiro iniciado.
    No Brasil essa questão, a meu ver subjetiva tem vindo a baila insistentemente sem muita razão de ser, vejamos.
    Na Africa, é comum pessoas iniciadas em Esu ( Os Orisa de Verger ) entre outros documentos, em Cuba apesar do sincretismo, muita gente é iniciada em Elegba, no Brasil o sincretismo mais forte e massacrante e a assimilação deste criou o impasse, Esu/demônio.
    Por fim, Esu não pode ser entendido de forma maniqueísta, como a civilização cristã e européia tende a fazer, pois, segundo a teologia yorubá, Esu se comporta como o executor da vontade divina, como o fiscalizador dos atos dos Orisa. Nada parecido com o demônio cristão, referência européia para Esu.
    Durante muitos anos conviveu-se com uma pretensa superioridade cultural, racial, religiosa na África e na região dos Yoruba que provocou guerras étnicas, fato que repercute ainda nos dias de hoje.
    A suposta ação evangelizadora desarticulou sofisticadas estruturas religiosas, imprimindo aspectos negativos e demoníacos à imagem de Esu que, ainda hoje, habitam o universo religioso e pratico dos mais renomados Baba/Iya.
    A perda dos valores primais africanos foi causada, sobretudo, pela escravidão, e posteriormente pela miscigenação com as seitas espiritas cristãs, permitindo assim que os mais sérios seguidores do Orisa ressaltem os aspectos negativos dos demônios, referindo-se a Esu como:
    Exu Lucifer, Exu Tranca Rua das Almas, Exu sete poeiras do inferno, Exu Rei das sete encruzilhadas, ou mudam seu sexo , Exu Pomba Gira ou Exu Maria Padilha.
    Os nomes e atributos deste importante Orisa do panteão Yoruba não permitem interpretações errôneas como as perpetuadas pela inércia e ignorância de pseudos expert em cultura Yoruba.

    Isto posto, resta muito pouco a discutir. Se olharmos no passado os referenciais dos nossos ancestrais veremos que a historia oral nos legou alguns nomes de pessoas altamente recomendaveis feitas de Esu, mas Esu e não demonios, ( tranca ruas da vida ou pomba giras). Falo isto porque é comum encontrar nos dias de hoje pessoas feitas desse tipo de entidade, e sua afirmações condizem com a sua realidade ou de seu ( pai de Santo ). È comum ouvirmos de um "Pai" a seguinte afirmação, "tenho um/a filho/a feito de Esu. E olha que ele é muito bom veio da Umbanda é exu molambo ou então era marabo e assim por diante. Isso mostra a ignorancia dos tais "pais ". Uma outra afirmação nos leva ao xis do problema, é comum afirmações do tipo " eu trabalho com magia negra e meu exu é batata, na magia ele não falha. É comum e notorio nos programas sensacionalistas da Tv vermos o exu lucifer de pai xxxxxxxxx, fazendo trabalhos nos cemiterios cariocas se denominando exu. Essa afirmações tem levado as pessoas serias a retrairen-se quando veem no jogo que o Orisa da pessoa é realmete ESU.
    Voltando a oralidade vamos ver que Tio Cassiano, tio carnal de D. Menininha era feito de Esu e chamava-se ESU BIY.
    Dois casos são interessantes o caso de Cafire e de Djalma de Lalu.
    No primeiro segundo relatos ela teria entrado pra fazer santo e faria Ogun depois de muitos ébós e varias conferencias com o Babalorisa chamado para resolver o "problema" foi assentado e ficou combinado que OGUN seria o Orisa feito, e para evitar qualquer problema ela não saiu junto no barco, ficou por ultimo em separado, e na hora que cantou a cantiga da saida (ela ) teria corrido na frente dos iwao tirando a ação do Babalorisa em questão e na hora do nome falou bem alto ESU IKÉTÉ e sua digina ficou Cafire.
    No caso de Djalma que conheci pessoalmente o finado Tata Fumutinho o recolheu para fazer Osose, tambem depois de muito ébó e conferencias com o exu rebelde que queria ser feito, o caso foi resolvido com uma conversa de Tata e Esu que afirmou ir embora se Tata fizesse um ébó especial, o que foi feito e Esu se foi conforme combinado, no dia do nome Osose saiu e na hora falou bem alto Bara ceji Lona.
    Esses dois casos nos mostra que se é ESU será Esu, mas é dificil ser Esu.
    A meu ver a questão é que a umbandização e a cardesização, ambas de matriz cristã tem levado a melhor, é melhor ter um grande demonio em casa, Lucifer, Belzebu, que são valorizados pelo nome de origem grego-romana, que um simples EXU de origen africana que não solta fogo pela boca nem usa o tridente do deus dos infernos, tornando-se no maximo o cumpadre tão falado, cachaceiro, mulherengo e amigo nas horas vadias.

    Mas ESU é um Orisa a ser iniciado, e como todos os outros tem seus preceitos especiais, pouco divulgados, conservados em segredo e espero que continuem assim.
    Algumas observações sobre Esu Orisa:
    Esu não pode ser feito em cabeça de mulher.
    Esu é sempre feito sozinho.
    Existem pessoas especiais para fazer parte de uma iniciação de Esu.
    Muito embora as folhas de Esu sejam em sua maioria urticante, na iniciação não são essas as folhas do omi éró.
    Por enquanto é só, Laroiye.

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